Tróia

Troia foi uma estação lusitano-romana situada na península do mesmo nome, na extremidade da freguesia do Carvalhal, em Grândola, defronte da cidade de Setúbal.

A história deste local remonta ao século II d.C., altura em que já existia este povoamento, e que viria a apresentar sinais de progresso e de desenvolvimento nos séculos seguintes. Mostra a estação sinais de decadência nos últimos anos da sua ocupação. Vivendo de uma atividade industrial que tinha os seus mercados fora da península, a decadência do império e a queda da sua parte ocidental implicavam e explicam a decadência do povoado.

As cetárias, ou tanques de salga do pescado, estendiam-se ainda em 1858 numa extensão de 4 km, segundo Carlos Ribeiro. Assim se conclui que outrora ali se ergueu um povoado industrial, com uma vultosa indústria de garum e conservas de peixe, cuja produção seria exportada para fora da península e, portanto, também um importante centro piscatório. Este centro romano ocupou a melhor zona da península e como o terreno não era insalubre, em contraste com Setúbal, os trabalhadores teriam sido recrutados entre as povoações indígenas limítrofes, o que levou ao despovoamento da zona segundo a estratégia romana, referida por Estrabão.

A estação lusitano-romana de Troia é importante no ponto de vista religioso, pois além de apresentar vestígios de culto pagão e do cristão, é um dos raros locais em Portugal onde se sabe que houve culto a Mitra, revelado num baixo-relevo.

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