O Turismo, o Imobiliário e o Crescimento

O grande impulso do turismo no crescimento do país fez-se sentir com maior incidência no 3º trimestre de 2016. Nada que os últimos anos de sucessivos prémios internacionais obtidos por Portugal não fizesse já adivinhar. Mas o impacto do turismo não se faz sentir apenas na economia nacional, o imobiliário é um dos grandes beneficiados.  

Em termos globais as receitas turísticas cresceram 1.376 milhões de euros (+10,8%) em setembro, face ao mês homónimo de 2015.

São vários os países que têm vindo a ganhar importância no panorama do investimento imobiliário internacional em Portugal. Esta semana a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, revelou alguns números relativos ao crescimento turístico internacional que fazem adivinhar um impacto equivalente no investimento imobiliário proveniente de cidadãos oriundos destes países. 

Itália: um mercado em ascensão

Começa a haver uma grande procura dos italianos para comprar casa em Portugal. Este é um mercado que, neste momento, está com uma grande procura pelo imobiliário, sendo um dado importante. As receitas turísticas revelam um crescimento do mercado italiano de 17,2% nos primeiros nove meses do ano - Ana Mendes Godinho

Os italianos procuram casas para alugar, mas mantêm em linha de vista a opção de compra de imóveis, com preferência pela região de Lisboainfo-icon e costa do Estoril. A atriz italiana Monica Bellucci é um bom exemplo dos famosos que escolhem Portugal para residir: comprou um apartamentoinfo-icon no histórico bairro do Castelo, em Lisboa.

O regime fiscal dos residentes não habituais é um fator de atração para os italianos reformados, ou profissionais com elevadas habilitações académicas que procuram Portugal em busca de benefícios fiscais, via isenções ou reduções nas taxas de IRS.

Mas o fascínio dos italianos pelo nosso país não se limita às vantagens fiscais, a proximidade cultural entre Portugal e Itália no que diz respeito à arquitetura, gastronomia e moda são fatores muito importantes. E a origem latina de ambas as línguas facilita a comunicação.

Brasil: um mercado imparável

O Brasil, cresceu 43,8%, fazendo "uma recuperação fantástica, depois de um início do ano difícil, com quedas significativas". Em setembro assistiu-se, assim, "a uma retoma em força" do mercado brasileiro - Ana Mendes Godinho

Após um período de recuo, eis que os brasileiros elegem de novo Portugal como destino turístico preferencial, para residir ou para a compra de uma segunda habitação. Segundo números divulgados pelo Gabinete de Estudos da APEMIP, no segundo trimestre de 2016, os brasileiros ultrapassaram os chineses em relação ao total de imóveis adquiridos em Portugal e são o 3º mercado que mais investe no imobiliário nacional, representando já 10% do total.

O mercado imobiliário português transformou-se assim numa válvula de escape para os brasileiros e tem beneficiado da crise financeira que se abateu sobre o Brasil. A desvalorização do Real e a estabilidade do Euro são razões que estão na origem da procura por mercados alternativos (o mercado imobiliário caiu 20% com a crise financeira de 2008), ultrapassando até o interesse que a oferta imobiliária dos EUA - com Miami à cabeça - sempre despertou no país-irmão. 

O sol, o clima, as praias e um sem número de relações e afinidades, entusiasmam os nossos irmãos de além-mar que procuram uma casa para residir na Europa. Mas a procura de imóveis não se confina à procura de um novo lugar para morar. Os investidores imobiliários brasileiros procuram todo o tipo de imóveis, desde casas para alugar, imóveis para reabilitar ou compra de imóveis de luxo que lhe podem conferir um visto de residência na Europa, ao abrigo do Golden Visa Portugalinfo-icon. A procura é bastante diversificada, e os destinos também, sendo que Lisboa e Porto ocupam um lugar de destaque. 

Estados Unidos: a procura aumenta

A secretária de Estado também destacou "o crescimento significativo" do mercado dos EUA, que cresceu 18,2% em setembro. No acumulado do ano estamos com crescimentos na ordem dos 20% nos EUA, o que revela a nossa capacidade de chegar a novos mercados, muito resultado da capacidade aérea, que duplicou para esse destino. 

Europa: o nosso mercado natural

Segundo Ana Godinho: No acumulado do ano verifica-se um aumento de 14,7% em relação à Alemanha o que é fantástico. Estamos finalmente a conseguir recuperar a sério num mercado em que nos últimos anos não conseguimos crescer e isto é muito importante.  Portugal continua a precisar de "ganhar escala" no mercado alemão. Este é um mercado com muita apetência, nomeadamente para descobrir produtos relacionados com o turismo da natureza, sendo um mercado que viaja ao longo de todo o ano. É um mercado que responde a dois dos nossos grandes desafios que é a desconcentração da procura ao longo do ano, mas também ao longo do território".

Além do mercado alemão, o mercado francês, aumentou 17%, o espanhol, mais 11,5%, o Reino Unido 12,9%, a França 12,4% e o holandês teve um impacto de 11,1% no crescimento das receitas turísticas.

Ou seja há um crescimento transversal aos mercados turísticos tradicionais, mas há a destacar uma forte diversificação de mercados, que não era observada há já algum tempo.