10 Frases que todo o comprador já ouviu numa visita a uma casa

Seja sincero: a maioria dos anúncios de imóveis em Portugal parece saída de um catálogo de sonhos. “Vista deslumbrante para o Tejo”, “totalmente remodelado”, “preço imbatível”, “oportunidade única”… e depois chega lá e ao visitar a casa pensa: “Mas onde está a vista? E esta remodelação foi com tinta do Lidl em 2003?”

Não é caso isolado. Quase toda a gente já foi enganada (pelo menos um bocadinho) por um anúncio bonito. E hoje, com edição, grande-angular, home staging e vídeos cinematográficos, é cada vez mais fácil vender uma sensação… em vez da casa real.

O segredo está em aprender a ler entre as linhas antes de perder tempo com visitas ou, pior, com ilusões e desilusões. Tome nota destes 10 sinais clássicos que merecem desconfiança logo à primeira vista.

  1. “Vista incrível / panorâmica / para o mar / para o castelo”
    • Se o anúncio não especificar o andar e se há varanda ou terraço, desconfie. Muitas vezes a “vista” só aparece se esticar o pescoço pela janela da cozinha no 1.º andar traseiro… e o dia estiver limpo.
    • Pergunte logo: “De que divisão se vê?”, “É vista desafogada ou só se vê um bocadinho entre prédios?” e “Há algum terreno vazio à frente que possa vir a ter construção?”. Se puder, peça um vídeo curto, feito da janela, sem zoom e sem cortes.
     
  2. “Totalmente remodelado” ou “recentemente renovado”
    • Tradução frequente: pintaram as paredes e mudaram os puxadores dos armários. Pergunte sempre: “Quando foi a remodelação?”, “O que foi mesmo feito?” e “Há faturas/garantias?”.
    • Se falarem em obras a sério, confirme o essencial: canalizações, eletricidade, janelas, isolamento, cozinha e casa de banho. E se houve alterações ao layout (paredes removidas, cozinha em open space, etc.), pergunte se tudo foi feito de forma regular e documentada.
     
  3. Preço por m² absurdamente baixo (ou anúncio sem preço)
    • Se o preço/m² estiver 20~30% abaixo da média da zona, das duas uma: ou há algum problema (ruído, infiltrações, obras futuras no prédio, condomínio complicado), ou o anúncio está desatualizado, ou é clickbait para captar contactos.
    • E atenção ao “barato com letra pequena”: confirme se é mesmo venda normal, se está livre de ocupação, ónus ou encargos e se não existem condições pouco óbvias (ex.: arrendamento a decorrer, venda de quota-parte, etc.).
     
  4. Fotos tiradas com lente olho-de-peixe + ângulos estranhos
    • A sala parece um pavilhão? A casa de banho parece saída de uma revista? Provavelmente usaram grande-angular (repare nas linhas tortas e nos móveis “esticados”).
    • Peça fotos normais (telemóvel, sem filtros) e um vídeo contínuo a percorrer a casa, sem cortes. Dica simples: peça uma foto do teto e cantos (onde aparecem humidades e fissuras) e outra do chão perto das paredes (onde aparecem desníveis e manchas).
     
  5. “1 minuto do metro” / “5 minutos da praia” / “centro histórico”
    • Provavelmente medem a distância a pé… feita por um maratonista olímpico. Peça a rua (ou a morada exata, se possível) e confirme no Google Maps o tempo real a pé, com subidas incluídas.
    • E faça uma verificação prática: confirme em hora útil e ao fim do dia. Há zonas que no mapa parecem perfeitas, mas na realidade o trânsito, o ruído e o estacionamento mudam tudo.
     
  6. Descrição pouco clara: “espaçoso”, “luminoso”, “funcional”, “com potencial”
    • “Com potencial” = pode precisar de obras sérias. “Funcional” = não é bonito, mas dá para viver. “Luminoso” às vezes significa “tem uma janela grande… para norte”.
    • Procure (ou peça) dados concretos: áreas (e que tipo de área é, bruta ou útil?), ano de construção, andar, elevador, orientação solar, varandas/arrecadação/garagem, e uma planta com medidas. Se o anúncio foge sempre aos números e vive só de adjetivos, é mau sinal.
     
  7. Fotos antigas ou genéricas da zona envolvente (ou zero fotos do exterior)
    • Se as fotos parecerem demasiado perfeitas e genéricas, ou se não houver NENHUMA foto da fachada/prédio/rua, não avance às cegas.
    • Peça imagens do exterior e da entrada do prédio. E use o Street View para confirmar se a envolvente bate certo com o “mood” do anúncio, porque o que não aparece na lente costuma ser o que pesa na decisão.
     
  8. “Motivo de venda: mudança de país / herança / divórcio”
    • Esta história repete-se tanto que já é uma bandeira amarela. Às vezes é verdade, mas também é usada para criar urgência (“tenho de vender rápido”).
    • Mantenha o seu ritmo: visite, valide documentação, compare alternativas e só depois decida. Se tentarem apressá-lo(a), encare isso como informação, não como argumento.
     
  9. Fotos “demasiado perfeitas” (home staging virtual ou imagens virtuais)
    • Quando tudo parece impecável demais (luz perfeita, móveis de catálogo, zero imperfeições) pergunte de forma direta: “Isto é a casa como está hoje ou é encenação/visualização?”
    • Peça um vídeo simples, em tempo real, sem música e sem cortes, que mostre detalhes “pouco glamorosos” (rodapés, juntas, interiores de armários, caixilharias, varanda, garagem, arrecadação).
     
  10. Pressa, conversa desviada para fora da plataforma e pedidos de dinheiro “só para reservar”
    • Se o(a) empurram para WhatsApp “porque é mais fácil”, evitam chamadas, não esclarecem dúvidas por escrito, ou quando pedem pagamento antes de visita e documentação, páre!
    • Regra prática: sem visita + sem validação de identidade + sem informação/documentos mínimos, não há transferências, não há “sinais”, não há reservas.

Checklist rápida antes de responder ao anúncio:

  • Pedir a morada exata (ou, no mínimo, rua aproximada + freguesia) e confirmar no Google Maps/Street View
  • Pedir planta com áreas e confirmar que tipo de área está a ser usada (bruta privativa, dependente, etc.)
  • Pedir ano da última remodelação + lista do que foi mesmo feito + faturas/garantias quando existirem
  • Pedir Certificado Energético (se for E/F, prepare-se para custos mais altos e menor conforto)
  • Comparar preço/m² com 3~4 imóveis semelhantes na mesma zona (tipologia e estado comparáveis)
  • Pedir fotos do exterior (fachada e entrada) e um vídeo contínuo (sem cortes) a percorrer a casa
  • Confirmar se há elevador, estado do prédio e previsão de obras (mesmo que “seja só uma pergunta rápida”)
  • Se houver mediador, apontar o nº de licença (AMI) e validar
  • Se possível, pedir Caderneta Predial e certidão permanente/teor (para perceber ónus, hipotecas, usufrutos, etc.)

No final do dia, o melhor filtro continua a ser: visita presencial + perguntas concretas (e respostas diretas). Se o consultor imobiliário ou proprietário responder na defensiva, ou mudar de assunto, evitando responder… normalmente há qualquer coisa que não está a ser dita.

E quanto a si? Já foi apanhado(a) por algum destes truques?

Siga-me
nas Redes Sociais

Copyright © Ana Mação 2016  |  Produzido por CARLOS MAÇÃO