Mercado Imobiliário em Portugal – Snapshot de Janeiro 2026

Olá! Estamos em janeiro de 2026 e o mercado imobiliário português continua bem vivo, com preços ainda altos, mas com sinais de moderação em alguns indicadores.

Há várias novidades este ano, sobretudo no plano fiscal e regulatório. O Governo lançou um pacote alargado de medidas com o objetivo de reequilibrar o mercado, estando ainda previstas novas alterações nos próximos meses.

Neste Snapshot Imobiliário de Janeiro de 2026 vou fazer um resumo mais completo por estarmos no inicio do ano, abordando os números mais recentes, tendências, novidades legislativas e o que podemos esperar a curto prazo. Esta é uma fotografia do panorama imobiliário para o orientar e ajudar, seja para comprar, arrendar ou investir.


O Termómetro dos Preços: Máximos Históricos

Vamos diretos aos números. O preço médio da habitação em Portugal tocou um novo recorde de 3.019 euros/m² neste arranque de ano. 

Apesar de ouvirmos falar muito da valorização louca no interior (Santarém e Beja estão a crescer acima dos 20%), a realidade "premium" joga-se noutro campeonato.

Zona / Mercado Preço médio venda (€/m²) Renda média (€/m²/mês) Tendência de crescimento recente
Lisboa 5.900 16 Preços ainda em alta; arrendamento continua elevado
Oeiras 4.500 14 Valorização estável por procura residencial e proximidade a Lisboa
Cascais 5.000 15 Mercado premium com procura consistente
Sintra Valores mais moderados 13 Procura crescente pelo valor relativo
Porto 3.900 13 Crescimento estável com interesse residencial e arrendamento
Matosinhos 3.000 (estimado) 12 Procura mais rápida em áreas com infraestrutura forte
Vila Nova de Gaia 3.000 (estimado) 12 Valorização por infraestruturas e qualidade de vida
Funchal (Madeira) 3.800 10 Procura internacional constante e dinâmica sólida
Algarve (Geral) 2.700 ~ 2.800 10 Procura forte, especialmente em zonas costeiras
 

Resumo das Dinâmicas por Zona (Janeiro 2026)

Lisboa / Oeiras / Cascais / Sintra - Esta região continua a ser a rainha dos preços, já muito perto dos 6.000 €/m². Consolidou-se como um verdadeiro refúgio de lifestyle: segurança, espaços verdes, proximidade ao mar e uma procura que não abranda. Mantém-se altamente atrativa para investimento estrangeiro, sobretudo ligado a golfe, resorts e arrendamento com yields elevados, especialmente no segmento sazonal. O centro histórico destas localidades continua blindado pelo capital internacional, enquanto a procura doméstica se está a dispersar para outras freguesias. Apesar das mudanças fiscais e regulamentares a influenciarem o arrendamento de longo prazo, os mercados premium continuam muito resilientes, com valorização consistente. Sintra afirma-se como a alternativa inteligente, beneficiando do “transbordo” de quem já não consegue comprar em Lisboa, Oeiras ou Cascais, oferecendo mais espaço a um preço por metro quadrado mais competitivo. Para quem vive ou investe nesta, que é a minha zona de influência, os sinais são claros: não se veem grandes quedas de preço, mas sim uma procura que continua a absorver tudo o que tem qualidade.

Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia - Continuam a viver uma fase de expansão urbana com forte procura residencial e boa atratividade para arrendamento. Estas zonas beneficiam claramente da melhoria de infraestruturas e serviços, com destaque para Matosinhos e Gaia. Matosinhos, com praia, ligações rápidas ao centro do Porto e investimento municipal em habitação (85M€ até 2026), mantém preços ainda mais acessíveis do que o Porto centro, embora estejam a subir rapidamente - uma opção muito interessante para famílias e arrendamento. Vila Nova de Gaia destaca-se pela nova construção e pelo impacto da Linha Rubi do metro, que está a impulsionar a valorização. Estas zonas, com vistas para o Douro/Mar, elevada qualidade de vida e preços mais convidativos do que o Porto, continuam a oferecer margem de crescimento clara para 2026.

Algarve (incl. Triângulo Dourado) - Mercado premium sustentado por procura internacional de lifestyle e investimento sazonal. Embora a média regional tenha um valor mais moderado em termos médios nacionais, os segmentos de luxo e as zonas costeiras líderes em procura continuam a destacar-se com dinamismo próprio. Além do Triângulo, o oeste (Lagos, Sagres) está a ganhar força com reformas pró-investimento e procura por zonas mais calmas. Zonas menos turísticas como Tavira ou interior também oferecem boa relação preço/qualidade.

Funchal (Madeira) - Mercado ao rubro! Preços já nos 3.864€/m² (um dos mais caros do país), subidas fortes em 2025 e procura internacional constante. Calheta e Santa Cruz também em alta. É atrativo para quem quer clima, mas já não é "barato" - mais para investimento premium ou residência. A procura residencial e de segunda residência (especialmente por parte de estrangeiros) e a oferta relativamente limitada sustentam preços premium e mantém o mercado insular numa trajetória robusta de valorização.

Braga - Emergente como centro urbano com forte procura e boa relação preço / qualidade de vida. Braga tem sido apontada como uma cidade com potencial de crescimento nos próximos anos, combinando procura por habitação permanente, proximidade a universidades e qualidade de vida, tornando-a atraente para investidores e residentes. Por outro lado, o investimento industrial internacional é um dos impulsionadores responsável por este crescimento.

Aveiro - Também destacada como zona com valores relativamente mais acessíveis e forte potencial de valorização. Aveiro combina uma matriz económica diversificada, qualidade de vida e boas ligações viárias e ferroviárias a polos maiores como Porto e Lisboa, crescendo em relevância para quem procura equilíbrio entre preço, arrendamento e qualidade de vida.

Arrendamento (geral) - Crescimento mais moderado das rendas, com sinais de estabilização em 2026, mas continua longe do equilíbrio de mercado devido à oferta ainda insuficiente face à procura, especialmente nas áreas metropolitanas e nos centros urbanos de maior densidade.

Zonas Emergentes: onde o futuro do imobiliário está a acontecer

Enquanto os grandes centros ficam caros, estas zonas estão a explodir:

  • Braga e Minho: Subidas fortes, preços ainda acessíveis (~2.100€/m²), universidade e tech a atrair jovens.
  • Aveiro: Lidera crescimento no Norte, costa e indústria forte.
  • Coimbra: Procura constante por estudantes, reabilitação no centro.
  • Interior (Évora, Viseu, Amarante): Qualidade de vida alta, preços baixos, teletrabalho a impulsionar.
  • Bairros no Porto (Campanhã, Bonfim): Regeneração urbana, metro novo, margem de valorização grande.
  • Comporta: Luxo emergente,
  • Loures/Benavente: Proximidade a Lisboa, e preços mais baixos.
  • Outras: Setúbal, Santarém, algumas zonas do Algarve menos turísticas.

Mesmo com preços elevados, o mercado mantém procura ativa, tanto interna como internacional. Investidores estrangeiros continuam a olhar para Portugal como destino de capital seguro, graças a fatores como estabilização macroeconómica, inflação controlada e taxas de juro mais previsíveis. 

Particularmente em Lisboa e Porto, a procura por ativos de qualidade com rendimento garantido (por exemplo, imóveis para arrendamento ou propriedades premium) permanece forte, com investidores a privilegiar localizações e ativos de elevada qualidade. 

Mas a narrativa de 2026 é policêntrica! Já não basta olhar para a Avenida da Liberdade ou para a Foz do Douro. A dinâmica de valorização alastrou-se como uma mancha de óleo, transformando cidades outrora dormitórios, ou capitais de distrito esquecidas, em novos polos de atração de investimento e residência.


Preços da Habitação: Subidas Fortes em 2025, Moderação em 2026

Em 2025 os preços bateram novos recordes, com subidas médias acima dos 17% em alguns períodos (dados INE e Idealista). O valor médio por m² já ultrapassa os 3.000€ em muitas zonas urbanas. Para 2026, as previsões apontam para uma valorização mais moderada, entre 6% e 8%, graças à oferta gradual a aumentar, especialmente no segmento de nova construção, às taxas de juro mais baixas e à redução da procura por parte de jovens (até aos 35 anos) que em 2025 recorreram em massa aos apoios governamentais para aquisição de habitação.

Recordo que mais de 53% das verbas consignadas a este apoio já foram utilizadas. Entretanto, a venda destas 22.933 habitações contribuiu para um aumento significativo dos preços neste segmento imobiliário (150 mil ~ 330 mil euros), o que tenderá a travar o recurso a este mecanismo a curto prazo. Com efeito, o aumento da taxa de esforço, resultante da subida dos preços, dificulta o acesso ao crédito à habitação.

Lisboa, Oeiras, Cascais, Sintra, Porto e Funchal mantêm-se no topo dos preços mais altos. Mas há uma migração clara para zonas mais acessíveis - muita gente está a fugir dos centros históricos, mais caros.

Resumindo: os preços irão continuar a subir, mas sem o ritmo insano dos últimos anos.

Arrendamento: Pressão Continua, mas com Abrandamento

O mercado de arrendamento continua inflacionado mas o ritmo de subida dos preços tem vindo a abrandar desde os finais de 2025 e em 2026. Nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto as rendas continuam elevadas, mas as zonas periféricas e localidades de menor dimensão estão a captar mais procura. 

Janeiro trouxe 3 grandes novidades para este sector:

  1. Para os inquilinos: A dedução de rendas no IRS subiu para 900 euros este ano (e vai aos 1.000€ em 2027). Não resolve tudo, mas ajuda.
  2. O Aumento das Rendas: A atualização oficial para 2026 é de 2,24% (o coeficiente é 1,0224). Mas atenção: se o senhorio não atualizou a renda nos últimos 3 anos, a lei permite-lhe agora somar os coeficientes antigos. Resultado? Alguns inquilinos podem ser confrontados com um aumento acumulado superior a 11% este mês!
  3. A "Renda Moderada" (A Grande Novidade): O Governo lançou uma "cenoura" fiscal com impacto imediato. Se um senhorio praticar uma renda até 2.300 euros (o novo teto de "Renda Moderada") e fizer um contrato de pelo menos 3 anos, o seu IRS cai de 25% para apenas 10%. Esta medida está a ter impacto nas rendas mais elevadas que estão a descer para valores inferiores a este patamar.

    Simulação de Impacto para o Senhorio: Imaginemos um senhorio com um apartamento em Oeiras arrendado por 1.500 euros mensais (18.000 euros/ano).
    • Regime Geral (25%): Pagaria 4.500 euros de IRS. O rendimento líquido seria 13.500 euros.
    • Regime Renda Moderada (10%): Paga apenas 1.800 euros de IRS. O rendimento líquido sobe para 16.200 euros.
    • Ganho Anual: 2.700 euros de liquidez adicional anual, apenas por via desta medida fiscal.

Novidades Fiscais e Regulatórias

Este é o tema quente do momento! O Governo aprovou um pacote fiscal ambicioso no OE 2026 para incentivar oferta e aliviar inquilinos:

  • Para inquilinos: A dedução das rendas no IRS sobe para 900€ em 2026 (e vai para 1.000€ em 2027). É um alívio bem-vindo na declaração de 2027.
  • Para senhorios: Taxa de IRS sobre rendas pode baixar para 10% em contratos mais longos ou com rendas moderadas. Se a renda for 20% abaixo da mediana do concelho, há isenção total de IRS – medida para incentivar rendas mais acessíveis.
  • Para profissionais da mediação imobiliária: Está em desenvolvimento um anteprojeto de regulação e profissionalização do setor de consultoria imobiliária que deverá marcar 2026 com a introdução de regras mais abrangentes de transparência, qualificação e ética no mercado. Até agora, a atividade de mediação imobiliária em Portugal tem estado estruturada em torno da Licença AMI, emitida pelo IMPIC, que é obrigatória para agências e mediadores que operam legalmente no mercado. O novo projeto legislativo, em fase de anteprojeto, visa alargar esse quadro regulamentar, reconhecendo e regulando também a atividade de consultores imobiliários que, hoje, podem atuar fora do regime de mediação tradicional, visando elevar os padrões de profissionalismo e proteger melhor os clientes em todas as fases da transação imobiliária.
  • Outras medidas: Há um conjunto de estímulos fiscais e regulatórios a avançar em 2026, incluindo a aplicação de IVA reduzido a 6% na construção de habitação nova até 648.000€, benefícios fiscais para senhorios e inquilinos, alterações no IMT e no IMI que afetam alguns imóveis e arrendamentos e incentivos à construção e reabilitação para ampliar a oferta. 
  • Sonar: A OCDE recomenda agravamento fiscal em casas vazias ou subaproveitadas. Há também novas regras urbanísticas (fim do alvará de construção tradicional, prazos mais curtos e coimas mais pesadas) para acelerar projetos. E continua o debate sobre arrendamento curto (tipo Airbnb) e heranças indivisas.

Algumas destas mudanças visam aumentar a oferta de habitação (meta de 59 mil casas nos próximos anos, apenas por via do investimento público) e tornar o mercado mais equilibrado. Vamos ver o impacto real ao longo do ano.

Desafios Estruturais: A Falta de Oferta Continua

O défice habitacional estima-se em 150-200 mil casas. Apesar dos programas para acelerar licenciamentos e construção, os efeitos ainda são graduais. A escassez de mão de obra e burocracia mantêm a pressão nos preços, mesmo em zonas secundárias.

Procura e Investimento: Mais Seletivo e Sustentável

O investimento imobiliário cresceu cerca de 10% em 2025, com capital estrangeiro de volta. Para 2026 espera-se +8-10%, com foco em qualidade: eficiência energética, localização premium e rendimento estável. Sustentabilidade e certificações são obrigatórias nas decisões de compra/investimento.

Snapshot Rápido – Previsões a Curto Prazo 2026

Indicador Perspetiva
Preços da habitação Subida moderada, 6-8% ao ano
Rendas de arrendamento Aumento máximo 2,24% (ou acumulado até ~11%)
Oferta habitacional Ainda insuficiente, mas reforço via incentivos públicos
Investimento Crescimento 8-10%, foco em sustentabilidade
Medidas fiscais/regulatórias Pacote grande: dedução 900€, IRS senhorios 10%, incentivos construção

Para Terminar

Os preços elevados da habitação persistem em 2027, mas não estamos perante a iminência do estoiro de uma bolha, tantas vezes profetizado por analistas mais pessimistas ou por compradores que esperam uma repetição abrupta de eventos passados. Em vez disso, o mercado já não reflete a euforia descontrolada dos preços da última década, mas sim uma dinâmica caracterizada por forte procura e oferta limitada, mas em crescimento, que tende a conduzir a uma estabilização gradual dos preços, com possibilidade de algumas correções pontuais em baixa, para determinadas regiões ou tipos de imóveis.

O ano de 2026 começou com um mercado resiliente, mas em clara fase de transição: preços elevados, acompanhados por medidas governamentais que procuram aliviar a pressão e estimular o aumento da oferta.

As medidas legislativas de licenciamento e profissionalização do setor da construção e da mediação, bem como o pacote fiscal, são a grande novidade do ano e podem mudar bastante as contas de inquilinos, senhorios e promotores. O governo prevê um custo com as medidas fiscais entre 200 e 300 milhões.

O crescimento do arrendamento no mercado imobiliário é uma realidade que se vai impor nos próximos anos. A dificuldade em comprar casa está a empurrar cada vez mais pessoas para o arrendamento e, a par disso, os incentivos à chamada “renda moderada” e a entrada prevista de investimento estrangeiro focado na construção e oferta de casas para arrendar deverão reforçar este modelo de habitação e torná-lo cada vez mais relevante em Portugal.

Se estás a pensar mexer - comprar, arrendar ou investir - vale a pena acompanhar estas mudanças e olhar para localização, preços e zonas emergentes. Contacta-me!

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